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Consumidores De Bebidas Sem Álcool: O Que Move Essa Onda Crescente

Por quê pessoas preferem bebidas sem álcool? Nesse artigo, através de entrevistas, apuramos o que está por trás disso.

“A felicidade está na companhia e na satisfação que as bebidas e alimentos proporcionam ao paladar, e não no álcool.”

A afirmação de Márcia Lemos Meyer representa exatamente a sensação que é desfrutar do que vale a pena em um momento de confraternização na presença de familiares e amigos. 

A funcionária pública, moradora de Brasília, mudou seus hábitos e descobriu que o prazer da degustação de um exemplar de qualidade vai muito além do teor alcoólico que ele traz.

Aliás, essa tem sido a tendência por todo o mundo. Em alguns países da Europa, por exemplo, as vendas de cervejas sem álcool já representam cerca de 10% do total. E aqui, estamos nos referindo a países considerados grandes consumidores, como a Alemanha e a Holanda.

“No Natal passado eu coloquei as garrafas de vinho na mesa, tanto as alcoólicas quanto as sem. Depois comecei a servir as taças aleatoriamente. E a maior parte das pessoas não notou nenhuma diferença entre os exemplares. Uma amiga minha disse inclusive que ficou até alegrinha, mas ela foi uma das que bebeu sem álcool. É engraçada a satisfação da mente”, contou Márcia. 
A funcionária pública substituiu o consumo de bebidas alcoólicas por uma questão de saúde. Há cerca de 10 anos o quadro de hipertensão aliado ao estresse do dia-a-dia a deram um susto. O cardiologista recomendou então a interrupção na ingestão do álcool. 

“Como sempre apreciei vinho, cerveja e chope, procurei alternativas. As opções sem álcool nos mostram que, a partir de rótulos de qualidade, é possível sair, se distrair e beber com os amigos, sem precisar ter contato com os perigos do álcool”, afirmou. 

E esses riscos são enormes. Um relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta que 28% das mortes provocadas pelo consumo de álcool são resultado de lesões, como por exemplo, acidentes de trânsito. Entretanto, há outras 21% de vítimas de distúrbios digestivos graves, 19% de doenças cardiovasculares e, o restante, causadas por doenças infecciosas, câncer e transtornos mentais.

Gisele Simões, proprietária da Empório Sem Álcool, única distribuidora de bebidas no país a vender exclusivamente vinhos, cervejas e espumantes sem álcool, explica que as pessoas que procuram por uma vida mais saudável representam a maioria dos clientes da loja. 

E os benefícios são significativos. No caso dos vinhos, por exemplo, as garrafas sem álcool mantêm as principais propriedades e benefícios oferecidos pela bebida tradicional. Isso quer dizer que tanto os aromas e sabores estão preservados como os componentes que apresentam fatores positivos ao corpo. 

O resveratrol, polifenóis e lavonóides, presentes nas cascas e sementes das uvas, e responsáveis pelos principais benefícios aos sistemas imunológico e cardíaco — que ajudam a controlar o colesterol bom para o organismo — estão preservados nos exemplares não alcoólicos.

Isso quer dizer que consumir uma garrafa de vinho sem álcool é poder degustar de aromas e sabores inigualáveis aliados a uma experiência positiva para a saúde.
Dentro desse universo de consumidores que se abstiveram do álcool, é possível encontrar públicos com restrições médicas, motivações religiosas, gestantes e lactantes, e quem prefere se afastar de bebidas alcoólicas para ter uma vida mais saudável. 

Não é segredo que o álcool pode provocar doenças ainda mais graves em alguns perfis de consumidores. Um exemplo disso são as gestantes.
Justamente a preocupação da fisioterapeuta, Angélica Saiuri Suwa, do Rio Grande do Sul.

“Passei a me interessar por bebidas sem álcool há cerca de dois anos, devido à gestação. A principio meu interesse foi por espumantes. Mas hoje tanto eu quanto meu marido consumimos vinhos e cervejas com teor 0%” afirmou.

Entre os riscos de se consumir álcool na gravidez está o fato de que a bebida passa pela placenta, ou seja, o bebê apresentará a mesma concentração alcoólica que a registrada no sangue da mãe. Entretanto, o fígado do feto ainda não está desenvolvido o suficiente para processar o álcool consumido, como acontece com o corpo adulto. 

As consequências à criança podem ser o atraso no crescimento, problemas no sistema nervoso, parto prematuro e até mesmo o aborto. 

Gisele Simões ressalta que as gestantes e lactantes são um tipo de público habitual entre os clientes. “Quando engravidam, por exemplo, as mulheres não querem abrir mão desse prazer e do aspecto de confraternização que a bebida proporciona” destaca a empresária.

A opção por bebidas sem álcool ainda atendeu a um anseio antigo de Angélica Suwa. “Nunca gostei dos efeitos que o álcool causa ao corpo, então, ao encontrar um portfólio com variações de bebidas de qualidade e sem álcool, como o da Empório, foi fácil me identifica” disse. 

O peso do cuidado com a saúde faz a diferença entre os consumidores do Empório Sem Álcool. 

Aliás, esta nova geração tem ganhado força em todo o mundo. Nos Estados Unidos e no Reino Unido há movimentos batizados como “Um ano sem beber” e “sober curious” (sóbrio curioso). Todos são apoiados por celebridades e influenciadores digitais. 

Esses movimentos retratam a tendência de redução das bebidas alcoólicas, que é observada também por aqui, no Brasil. 
Segundo uma recente pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde em parceria com a CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool), o Brasil está no ranking dos países que mais consomem bebidas alcoólicas na América Latina. Contudo, a ingestão de álcool per capita no país caiu 11% em seis anos.

Dados do Ministério da Saúde indicam que a mudança de comportamento está diretamente associada à busca por melhor qualidade de vida, já que o consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica, mesmo que de forma recreativa, ou socialmente como é popularmente chamada, pode trazer danos à saúde.

Sinais de mudança

O lado positivo é de que as experiências ruins possibilitam as mudanças de comportamento e reparações. É assim que o mercado produtor nacional (assim como o internacional) já observou o segmento de bebidas não alcoólicas como um nicho a ser explorado. 

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja, as vendas desse segmento aumentaram 5% em cinco anos. Além disso, as grandes cervejarias nacionais já estimam elevar a oferta deste tipo de produto de 1% da produção para 20% até 2025.

Ivan Carlos Alonso, morador de São Paulo, já notou a evolução na oferta de produtos com teor 0% e, principalmente, a qualidade com que as bebidas passaram a ser elaboradas. 

“Numa ocasião, quando estava fazendo compras com a minha esposa no supermercado encontramos um vinho sem álcool e decidimos provar. Gostamos, mas depois foi difícil de voltar a encontrar. Aí, comecei a comprar pela internet. Mas tinha problemas com a entrega e a qualidade das bebidas. Até que encontrei a Empório Sem Álcool e me tornei cliente assíduo” afirmou. 

Alonso ressalta que hoje há uma variedade de rótulos, coisa que não era observada há alguns anos atrás. “Toda semana temos acesso a novidades e novos rótulos. Os produtos são de alta qualidade e confiáveis e isso nos faz continuar consumindo”

É sempre importante lembrar que a legislação brasileira conta com regras específicas para a elaboração deste tipo de exemplares. De acordo com o artigo 38 do Decreto n° 6.871/2009, são consideradas como não alcoólicas aquelas bebidas que apresentem 0,5% de teor alcoólico.

Ainda assim, existe hoje no mercado um variado leque de produtos vendidos como zero álcool, isso que dizer que de fato não apresentam teor alcóolico. 

Ivan Carlos Alonso garante que só vê vantagens na produção deste tipo de bebida. “Eu já incluí na minha rotina, quando fazemos uma noite do vinho, meus amigos trazem as garrafas deles e eu degusto o meu exemplar sem álcool. Quando vou viajar, levo as minhas bebidas e coloco no frigobar do hotel. É praticidade e qualidade juntos”, destaca.

Unida às vantagens apontadas por Alonso ainda estão os benefícios das cervejas sem álcool ao corpo. Pesquisas mostram que os rótulos 0% contém vitaminas em maior concentração. Entre elas as do complexo B, responsáveis pela disposição, energia e o funcionamento do corpo, de forma geral. Assim como, o ácido fólico (vitamina B9), que também tem significativa importância para a saúde.

Um estudo publicado pelo site Beer and Health mostra que consumidores de cerveja não alcoólica registraram queda nos índices de estresse, em relação aos bebedores de cerveja com álcool, além de melhora na qualidade do sono.

Outra vantagem encontrada nas cervejas sem álcool é a menor quantidade de calorias do que nas versões alcoólicas. Isso se deve ao fato de que a fermentação interrompida gera menos carboidrato e açúcares na versão final. 

Além disso, os processos cada vez mais tecnológicos, unidos à atenção dos cervejeiros permitem a elaboração de rótulos com preservado aroma e sabor.
Onde esse hábito começou?

Dados históricos indicam que os egípcios teriam sido os primeiros povos a elaborarem uma cerveja sem álcool. Isso há mais de 4000 anos atrás. 

Aqui no Brasil, os primeiros registros de cervejas sem álcool são da década de 1970. Nesta ocasião, as bebidas ainda eram importadas. 

Somente no ano de 1991 este tipo de exemplar passou a ser produzido em cervejarias nacionais. Mesmo assim, a qualidade não atendia o paladar exigente dos cervejeiros. 

Com o aumento da demanda, aliada a implantação das Leis Secas em todo o mundo, as empresas começaram a se dedicar a cada dia na elevação da qualidade dos produtos. 

A proprietária do Empório Sem Álcool lembra que, há 18 anos quando começou a atuar no mercado, o setor viticultura era embrionário quanto ao assunto de vinhos sem álcool. “O começo, em 2002, foi desanimador. A ideia surgiu quando estava desempregada e um colega metodista, que amava vinho, mas parou de beber por causa da religião, sugeriu a produção de vinhos sem álcool. Investi e diziam que éramos doidos” contou Gisele Simões.

Hoje, esses são alguns dos produtos mais procurados e apreciados pelos clientes. Este diferencial da Empório, além de um portfólio que preza pela excelência nas opções, fez inclusive a distribuidora ganhar destaque como personagem da matéria de capa da Revista Época em janeiro deste ano. 

Um dos consumidores que busca por qualidade e atendimento personalizado é Nevio Barkemeyer, morador de Santa Catarina. Ele faz questão de selecionar os produtos nobres para compor seus cardápios.

“Já comprei vinhos tinto, gaseificados e cervejas. Todos produtos de ótima qualidade. Além disso, foi o primeiro lugar que achei Heineken rótulo azul (0,0% Álcool)”, afirma ele. 

Este é um diferencial importante de se destacar no mercado de produtos sem álcool atual: o alto padrão. A empresa holandesa anunciou em dezembro de 2019 a comercialização de seu produto deste tipo e os primeiros rótulos começaram a ser comercializados no Brasil entre março e abril deste ano.

Se antes as bebidas com 0% de álcool eram vistas como de sabor inferior, hoje elas disputam o paladar dos cervejeiros mais exigentes do mundo. 

“Inicialmente eu tinha um pouco de preconceito porque já tinha consumido um espumante sem álcool e não tinha gostado. Mas quando entrei em contato com a Empório, encontrei opções de alta qualidade e achei muito bom” lembrou a psicóloga, Juliana Kessar, de São Paulo.

Ela passou a optar pelas bebidas sem álcool para aliar com uma reeducação alimentar e atividades físicas, recomendadas por sua nutricionista. 

“Notei uma mudança muito grande relacionada ao inchaço que o álcool causava no corpo. Outra alteração foi no paladar. Antes, ao consumir bebidas com álcool parece que não notava tanto o gosto dos alimentos. Hoje, com a bebida sem álcool consigo apreciar muito mais os sabores dos pratos. Foi algo muito curioso e positivo que encontrei com este novo hábito”, ressalta Juliana. 
Além dos benefícios de não conter álcool por si só, as cervejas sem álcool, por exemplo, já estão disponíveis em versões frutadas, encorpadas e inclusive isotônicas, muito recomendadas para quem pratica exercícios físicos regularmente. 

No caso dos vinhos, há opções mais tânicas, assim como para quem prefere os exemplares demi-sec ou suave.

“Muitos dos meus amigos e familiares já têm mostrado interesse nos produtos. E isso também é significativo, porque é uma mudança de hábitos, mas sem abrir mão de qualidade. Agora, consigo unir a saúde e o prazer de degustar um vinho, sem sentir os malefícios que o álcool causa. É fantástico”, ressalta a psicóloga. 

Não há como negar os benefícios do consumo de bebidas sem álcool. Além das inúmeras razões pelas quais levam os consumidores, cada vez mais exigentes, darem preferência por estes tipos bebidas que proporcionam inclusão social e bem-estar para os consumidores mais exigentes. 

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